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SONHOS: A VIDA FRACTAL

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Dicionário dos Sonhos 

DICIONÁRIO

DOS NOMES  

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OS SONHOS NA ANTIGUIDADE

      

 “Somos feitos da matéria dos sonhos; nossa vida pequenina está cercada pelo sono.” – William Shakespeare, em Tempestade, Ato IV, cena I.

 

 

     Na Bíblia e em praticamente em todos os livros religiosos encontramos narrativas sobre sonhos, tidos como meio da divindade falar com os homens. A história de José do Egito e da interpretação de um sonho do faraó, que lhe valeu o vice-reinado do Egito, é das mais clássicas.

Muitos reis da antiguidade tinham os seus agoureiros oficiais, intérpretes de sonhos, como é caso do rei caldeu Nabucodonor, para quem o jovem Daniel interpretou um sonho, sem que este lhe tivesse revelado qual era.

Os antigos gregos acreditavam grandemente que muitos sonhos eram mensagens dos deuses. Aceitavam plenamente a ideia de que os deuses influíam nos assuntos dos humanos, dando-lhes notícias e avisos através dos sonhos. As obras literárias desta época nos falam dessas crenças. Mas não se podia acreditar cegamente neles. O poeta Homero, autor da Odisseia, ressalta uma distinção entre os sonhos "verdadeiros" que indicavam uma linha correta de ação e os sonhos "malévolos" que podiam levar à confusão e erro:

"Existem duas portas para os sonhos espectrais: uma de batente normal e outra de marfim. Pela porta de marfim aparecem sonhos enganosos de esplendoroso fantasma; mas os que surgem pelo sólido e polido batente anunciam aos mortais coisas que se cumprem."

Também na Odisseia se conta como a deusa Atena se apiedou de Penélope, a esposa de Odisseu, pois se encontrava muito pesarosa e angustiada pelo medo: acreditava que iam assassinar seu filho Telêmaco. Por isso a deusa lhe apareceu em sonho, tomando o aspecto da irmã de Penélope, e lhe transmitiu uma mensagem de esperança, assegurando-lhe que seu filho sobreviveria.

 

 

  A Epopeia de Gilgalmesh


            Existe uma lenda de cinco mil anos, que se considera ser o primeiro exemplo registrado de que os sonhos podem guardar mensagens proféticas. O livro se intitula Epopeia de Gilgalmesh e muitos historiadores consideram que o relato se transmitiu por tradição oral muito antes que se o escrevesse:

No terceiro milênio a.C., no que é hoje o sul do Iraque, viveu o poderoso rei Gilgalmesh, "forte como um touro selvagem". A fim de compensar tanta energia, uma deusa desejou por do seu lado um companheiro. Mas antes que chegassem a se conhecer, segundo conta a lenda, Gilgalmesh teve estranhos sonhos. Primeiro sonhou que um meteoro caia sobre a terra e depois que uma tocha o atraia de forma irresistivelmente.

Estes sonhos foram interpretados por sua mãe desta maneira: "O meteoro é um valente camarada que vem para te ajudar nos momentos críticos e a tocha significa a força que os unirá em vossa amizade."

A predição, diz o relato, se tornou realidade e que Gilgamesh conheceu Enkidu. Ambos percorreram heróicas e trágicas aventuras e passaram à história como amigos e companheiros inseparáveis.

 

Na verdade, a Epopeia de Gilgalmesh é uma das muitas fábulas da criação do homem. Ele precede as fábulas bíblicas da criação do homem, narradas no Gênesis. O nome Gilgalmesh é aramaico, a língua falada nesta região naquele tempo e durante muito tempo, inclusive na Palestina no tempo de Jesus. Gilgal, ainda hoje em hebraico, é uma palavra usada na Cabala para designar o ciclo da reencarnação, o mais importante conceito que uma religião pode ter, ensinado por Jesus, Buda, e pelos antigos filósofos gregos, e pelos cabalistas, e crença comum naquele tempo. Gilgal designa alguma coisa que faz um círculo, como uma mangueira de jardim, ou perfaz um ciclo. E Mesh significa “do homem”. A palavra aramaica Esh, ou Ish, ainda hoje usada no hebraico, e muito comum na composição de nomes (como em Israel e Isaque) significa homem.

A Epopeia de Gilgalmesh nada mais é do que uma mensagem cifrada sobre reencarnação. E a interpretação deste sonho se situa neste contexto. O meteoro caído na terra é seu Ego, e tocha à qual se vê irresistivelmente atraído é seu corpo, mesma simbologia usada no episódio da sarça ardente quando Moisés fala pela primeira com IHVH.

  A própria vida é um sonho. Carl Gustav Jung disse: “Quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, acorda.” O sentido dessas mesmas palavras podem ser encontrados nos livros de Albert Einstein, de que a vida é um sonho que muitas vezes se transforma em pesadelo para muitos de nós.

 

 

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